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“Campos de Experiência” – Experiências de um corpo que vive…

A criança é vida. A infância será a grande jornada das experiências que essa mesma criança compartilhará daqui até o futuro. A criança como “sujeito” de direitos, das aprendizagens, agora não vista como passiva, tampouco espectadora de campos os quais ela não toca, não cheira, não vive, é “agora” uma criança ativa, pensante, pulsante, capaz. Sempre foi e sempre será. É para essa criança capaz que escrevo este breve documento. E também para um professor, um educador ativo, que enxerga essa criança, escreve, relata e desenha essa infância com ares de poesia e metáfora.

Quando a base nos foi apresentada, por mim vista como uma grande conquista para uma escola que adota a voz da criança, o documento veio garantir a presença integral de um educador que modifica o seu lugar e reflete sobre sua posição em sala, desde um plano até a execução. Pensar nos campos não só pelo viés teórico, mas nos direitos, da execução até a elaboração desses espaços que garantem, no mínimo, a interlocução, o percurso e o itinerário dessa criança no espaço educativo. Pensar em “campos” não é planejar e construir cantos, ilhas ou territórios. Primeiramente, é executar o olhar para as relações. Relacionar. Como a criança conhece, sabe e narra aquilo que lhe está sendo ofertado. Como esse professor provoca os sentidos, trazendo as mais diversas experiências, passando primeiro pelo corpo, observando como o sujeito criança pensa, age e relaciona tudo isso. Contar uma história, por exemplo, não será somente ouvir e julgar palavras, mas reconhecer formas, contar, interpretar, recontar, desenhar, colar, imaginar, transpor, transfigurar, brincar.

Costumo afirmar que todas as coisas em sala de aula desejam ser outras coisas. Relacionar o conteúdo é desejar que algo novo aconteça. Tudo que a criança toca ressignificado está. Todas as crianças querem experimentar outros jeitos, formas, conceitos. Todos desejam narrar e propor isso em roda. Eu sei isso… aquilo! O que sabemos sobre. O que queremos saber a partir de. É direito de todos embarcar numa viagem rumo ao inimaginável. A sala de aula começa como uma neblina. Acessar esses lugares (campos) é garantir que todos os envolvidos tenham ricas experiências que virão a ser narradas, contadas, elencadas, sequenciadas, vividas, lembrando que o que passou por esse corpo, pelos sentidos e tal, registrado estará, existe. Os campos não são efêmeros, nascem e se perpetuam na poesia das crianças.

Autora: Guga Cidral.

Educação Infantil e BNCC

É na primeira infância que as experiências vivenciadas contribuem para e reforçam o desenvolvimento integral da criança. Essas vivências são motivadas geralmente no âmbito familiar e por meio da escola, especificamente na Educação Infantil, a partir de intervenções educativas que favorecem a construção da autonomia e de valores imprescindíveis, tais como solidariedade, autoconfiança e responsabilidade.

No que se refere à educação escolar, atualmente, a Educação Infantil no Brasil está vivenciando um momento importante, de reflexão sobre seu papel na formação das crianças nessa fase da vida, considerando a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que articula diferentes olhares quando contempla seis direitos de aprendizagem das crianças: conviver, brincar, explorar, participar, expressar-se e conhecer-se. Além disso, assegura princípios fundamentais para a organização de currículos que considerem: os dois grandes eixos, as interações e as brincadeiras; os princípios éticos, políticos e estéticos; a indissociabilidade entre o cuidar e o educar; a criança como ser integral que se relaciona com o mundo a partir do seu corpo em vivências concretas com diferentes parceiros e em distintas linguagens.

A concepção da BNCC para a etapa da Educação Infantil propõe que os alunos sejam vistos como protagonistas em seu processo de desenvolvimento e aprendizagem, norteados por práticas pedagógicas orientadas pelos campos de experiências, evidenciando continuidade e progressão nas demais etapas da Educação Básica: O eu, o outro e o nós; Corpo, gestos e movimentos; Traços, sons, cores e formas; Escuta, fala, pensamento e imaginação; Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.

Os campos de experiências estão embasados nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil (DCNEI), no que se refere aos saberes e conhecimentos fundamentais que devem ser propiciados às crianças e associados às suas experiências. Nessa perspectiva, a BNCC alinha os campos de experiências aos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para a Educação Infantil, cujas aprendizagens essenciais compreendem tanto comportamentos, habilidades e conhecimentos quanto vivências que promovam aprendizagem e desenvolvimento nos diversos campos, sempre tomando as interações e brincadeiras como eixos estruturantes.

Os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento estão sequenciados por faixa etária, embora a BNCC enfatize que esses grupos não podem ser considerados de forma rígida, já que há diferenças de ritmo de aprendizagem e no desenvolvimento das crianças que precisam ser consideradas na prática pedagógica. Os grupos por faixa etária organizam-se em Creches (bebês de zero a 1 ano e 6 meses), Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) e Pré-Escola (crianças pequenas de 4 anos a 5 anos e 11 meses).

A BNCC menciona de forma inovadora a transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental no que se refere aos documentos oficiais, pois não tratam de como a articulação deveria ocorrer, embora muitos estudos tenham se fundamentado na importância de se ter um olhar voltado para a trajetória educacional de uma criança como uma ação contínua, orientando o processo de ampliação. Nesse sentido, a BNCC deu ênfase a essa transição como uma integração e continuidade dos processos de aprendizagem das crianças, direcionando orientações específicas, visando a um percurso educativo que contribua para a compreensão da história de vida escolar de cada aluno do Ensino Fundamental.

A BNCC também normatiza que, ao longo da Educação Básica, referindo-se também à Educação Infantil, as aprendizagens essenciais definidas nesse documento devem concorrer para assegurar aos estudantes o desenvolvimento de dez competências gerais, que subsidiam, no âmbito pedagógico, os direitos de aprendizagem e desenvolvimento. A BNCC define competência como “a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho”.

Acreditamos que grandes avanços deverão ocorrer na educação brasileira, especificamente na Educação Infantil, a partir da consolidação e implantação da BNCC, principalmente no que se refere às propostas curriculares das escolas e à necessidade de ampliação da formação dos professores. Esses aspectos são imprescindíveis, levando em consideração que o foco principal das práticas educativas na Educação Infantil deve estar voltado para o cidadão em formação e sua relação com a cultura.

Autora: Mércia Valéria Campos Figueiredo.

O lugar do texto no ensino de Língua Portuguesa

Houve um tempo (até os anos 1980) em que, para ensinar Língua Portuguesa, era possível prescindir do texto, uma vez que a palavra, depois a frase, foram consideradas unidades mínimas para esse ensino. No entanto, a partir da segunda metade dos anos 1990, os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN (MEC, 1998) estabeleceram que o objeto mínimo de que se deveria partir para o ensino de Língua Portuguesa seria o texto.

Hoje, trinta anos depois da publicação dos PCN, um novo documento, a Base Nacional Comum Curricular – BNCC (MEC, 2017), apresenta diretrizes para o ensino das diversas disciplinas que devem compor o ciclo de 12 anos da Educação Básica. No caso específico de Língua Portuguesa (LP), há um nítido diálogo entre o que disseram os PCN e o que afirma hoje a BNCC. Na verdade, pode-se dizer que neste documento encontra-se uma atualização sobre o trabalho com práticas de linguagem e texto. Na BNCC, são feitos acréscimos que consideram as formas de interação verbal do ambiente digital e as diversas possibilidades de usar a linguagem proporcionadas em boa medida pelas Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação –TDIC.

Assim, na BNCC, mantém-se a perspectiva enunciativo-discursiva da linguagem, a partir da qual se deve trabalhar o texto – unidade mínima de ensino de LP – sempre considerando seu contexto de produção: quem diz algo, em que situação, para quem, com qual objetivo, de que forma; a troca verbal com quem interage com o texto: para quem o texto chega, que perguntas, reflexões, críticas e respostas o texto pode provocar no outro, considerando-se que esse outro é um sujeito histórico, que vive em um tempo, em um lugar e que tem suas próprias experiências. No ensino de LP, essas experiências com a linguagem devem estar relacionadas ao desenvolvimento de habilidades de fala, escrita, escuta e leitura de textos que circulam em diferentes mídias (áudio, vídeo, texto impresso, por exemplo) e em diferentes semioses (verbal – oral e escrita, não verbal/visual, verbo-visual) e que concretizam diferentes gêneros discursivos utilizados em diferentes práticas sociais da esfera pública, do trabalho e privada (panfleto, aviso, meme, conversa – face a face, em aplicativo de celular, recado, conto, relatório, post, narrativa digital, entre muitos outros).

A consideração de textos multissemióticos – aqueles em que se apresenta mais de uma semiose (verbal, visual e/ou verbo-visual) que podem pertencer a gêneros típicos da cultura do impresso (como outdoor) ou a gêneros emergentes da cultura digital (como trailer honesto) – é a relevante atualização da BNCC com relação a práticas de linguagem contemporâneas e é um dos aspectos que devem ser observados no ensino de Língua Portuguesa. É preciso lembrar, no entanto, que a abordagem de qualquer tipo de texto no ensino de Língua Portuguesa ou de qualquer outra disciplina dos ensinos Fundamental e Médio deve ser pensada contextual e funcionalmente e com o objetivo de auxiliar no desenvolvimento de cidadãos críticos, que são capazes de interagir socialmente pelos sentidos que se criam na e pela linguagem.

Autora: Nukácia Araújo.

BNCC desenha modelo de sociedade

Promulgada em dezembro de 2017, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para os segmentos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental define as aprendizagens essenciais que os estudantes de escolas públicas e privadas devem desenvolver na educação básica. De acordo com a orientação do documento, estados, Distrito Federal e municípios devem formular seus currículos e promover a formação continuada dos professores nos dois próximos anos.

Em seu período de elaboração, a BNCC recebeu diversas contribuições e enfrentou severas críticas de especialistas. Tão logo foi divulgada a proposta para o Ensino Médio, os críticos apontavam que o documento não detalhava conteúdos das áreas de Ciências Humanas e Ciências da Natureza, mas apenas as áreas de Linguagens e de Matemática mereceram maior atenção. Com o recuo do governo, o Ministério da Educação decidiu alterar as orientações do documento para esse segmento. Nas palavras do Ministro da Educação, Rossieli Soares, “entendemos agora, ouvindo a sociedade, que devemos aprofundar isso, e o faremos”. A BNCC para esse segmento, que deveria ser aprovada até meados deste ano, trava luta interna com a já polêmica Reforma do Ensino Médio.

As idas e vindas dos órgãos educacionais do governo e as críticas de educadores acerca da construção da Base Nacional Comum Curricular só podem ser entendidas se observarmos a complexidade do conceito de currículo. Reportamo-nos aos estudos de Silva (1999), que define currículo como “o espaço em que se concentram e se desdobram as lutas em torno de diferentes significados sobre o social e sobre o político. É por meio do currículo que certos grupos sociais, especialmente os dominantes, expressam sua visão de mundo, seu projeto social”.

O currículo nos remete, assim, ao questionamento acerca de que tipo de sociedade desejamos construir. essa preocupação é vital no caso do Brasil, país sobejamente conhecido como um dos mais desiguais do mundo. os estudos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2017, constataram haver 14,83 milhões de pessoas – o equivalente a 7,2% da população – vivendo na extrema pobreza, sendo que cerca de 50 milhões de brasileiros, o equivalente a 25,4% da população, vivem na linha de pobreza. No segmento educacional, o percentual de jovens que não trabalha nem estuda aumentou 3,1 pontos percentuais entre 2014 e 2016, passando de 22,7% para 25,8%.

Com tantas outras desigualdades, torna-se urgente a modificação da sociedade que construímos nos últimos tempos. A par das imperfeições registradas na BNCC, esse documento acerta ao afirmar, logo em sua introdução, que visa à formação humana integral e à construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. Essas premissas estão patentes em 4 das suas 10 competências gerais, como se vê a seguir.

A competência 1 contempla o desenvolvimento da realidade concreta para que o estudante possa, por meio da aprendizagem contínua, participar da construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. No caso do Brasil, frente aos imensos desníveis sociais, econômicos e culturais, já abordados, essas premissas tornam-se urgentes e necessárias.

A competência 6 aborda o fato de que, ao se apropriar de conhecimentos e experiências, o estudante constrói o livre-arbítrio, o que lhe possibilita fazer escolhas conscientes que o levam ao desenvolvimento da autonomia, da consciência crítica e da liberdade, princípios inerentes ao exercício da cidadania. Como sabemos, além da dominação econômica e educacional, as classes populares também são vítimas da dominação por parte dos meios de comunicação e da desinformação oriunda do seu atraso cultural. Esse atraso precisa ser resgatado e superado por homens e mulheres emancipados e críticos, projeto muito oportuno apresentado na Base.

Já as competências 9 e 10 apontam para a importância dos direitos humanos, para a consciência socioambiental em âmbito local, regional e global, bem como para a valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, combatendo-se preconceitos de qualquer natureza.

Vê-se que a concretização do modelo de sociedade desenhado pela BNCC não é tarefa fácil e muito menos será implantada por sujeitos isolados, tidos como “salvadores da pátria”. Esse projeto demandará um sério compromisso com a formação de crianças, adolescentes e jovens que deverá ser assumido coletivamente por todos os atores envolvidos direta ou indiretamente com o desenvolvimento da educação do país, em especial, os professores, que passam, assim, a ter uma imensa responsabilidade política e social.

Referências:

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília: Secretaria da Educação Básica, 2017.
SILVA, T. T. O currículo como fetiche. Autêntica: Belo Horizonte, 1999.

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