A criança é vida. A infância será a grande jornada das experiências que essa mesma criança compartilhará daqui até o futuro. A criança como “sujeito” de direitos, das aprendizagens, agora não vista como passiva, tampouco espectadora de campos os quais ela não toca, não cheira, não vive, é “agora” uma criança ativa, pensante, pulsante, capaz. Sempre foi e sempre será. É para essa criança capaz que escrevo este breve documento. E também para um professor, um educador ativo, que enxerga essa criança, escreve, relata e desenha essa infância com ares de poesia e metáfora.

Quando a base nos foi apresentada, por mim vista como uma grande conquista para uma escola que adota a voz da criança, o documento veio garantir a presença integral de um educador que modifica o seu lugar e reflete sobre sua posição em sala, desde um plano até a execução. Pensar nos campos não só pelo viés teórico, mas nos direitos, da execução até a elaboração desses espaços que garantem, no mínimo, a interlocução, o percurso e o itinerário dessa criança no espaço educativo. Pensar em “campos” não é planejar e construir cantos, ilhas ou territórios. Primeiramente, é executar o olhar para as relações. Relacionar. Como a criança conhece, sabe e narra aquilo que lhe está sendo ofertado. Como esse professor provoca os sentidos, trazendo as mais diversas experiências, passando primeiro pelo corpo, observando como o sujeito criança pensa, age e relaciona tudo isso. Contar uma história, por exemplo, não será somente ouvir e julgar palavras, mas reconhecer formas, contar, interpretar, recontar, desenhar, colar, imaginar, transpor, transfigurar, brincar.

Costumo afirmar que todas as coisas em sala de aula desejam ser outras coisas. Relacionar o conteúdo é desejar que algo novo aconteça. Tudo que a criança toca ressignificado está. Todas as crianças querem experimentar outros jeitos, formas, conceitos. Todos desejam narrar e propor isso em roda. Eu sei isso… aquilo! O que sabemos sobre. O que queremos saber a partir de. É direito de todos embarcar numa viagem rumo ao inimaginável. A sala de aula começa como uma neblina. Acessar esses lugares (campos) é garantir que todos os envolvidos tenham ricas experiências que virão a ser narradas, contadas, elencadas, sequenciadas, vividas, lembrando que o que passou por esse corpo, pelos sentidos e tal, registrado estará, existe. Os campos não são efêmeros, nascem e se perpetuam na poesia das crianças.

Autora: Guga Cidral.